Se meu caderno se rasgasse
Ele vazaria cada uma das páginas
E das páginas vazariam palavras
Que deixariam meus versos nus.
Ninguém mais no mundo leria meus rascunhos
Mas com alguma sorte talvez, ainda pudessem me ler.
Se o meu caderno se colasse,
Já não seria mais o mesmo caderno
E nem os mesmos versos,
Porque cada palavra é única e só pode ser escrita uma vez,
Todo escritor sabe disso.
E sabe também que o caderno é um hotel de rabiscos, entre
linhas,
E eles rasgam e se perdem,
A tinta acaba e a escrita muda.
Mas se o meu caderno se perdesse,
Se o meu caderno se encontrasse ou se esquecesse,
Isso não me assustaria.
O caderno é a estrada que meus versos percorrem
Mas eu sou o lar das palavras.

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