Diário da Quarentena #1 - Tententender


(Não exerço nenhum serviço essencial e tive a oportunidade de ficar em casa. Sei que nem todos podem fazer isso. Mas caso você possa, por favor, fique em casa.)
Esse é meu 11º dia de quarentena. Saí duas vezes nesse período de tempo apenas para comprar comida (como é a recomendação). Estou desde a semana passada ensaiando de fazer esses diários, hoje finalmente peguei impulso e apenas vim escrever.
Tenho medo de que vire uma bagunça, pois assim tem sido meus dias, emocionalmente falando. De manhã estou esperançosa, de tarde fico triste, a noite ansiosa, não necessariamente nessa ordem. Mas aconteceu todos os dias, vou passeando numa montanha russa de sentimentos e angústias, que ora melhoram, ora pioram. Mas acredito que na maior parte do tempo, estou conseguindo me manter bem, na medida do possível.
Desconfio de quem diga que está plenamente bem nessa situação toda. Vejo o número de óbitos e me comovo, vejo as ações de caridade da população e me emociono. Vejo as previsões para os próximos dias e me preocupo. É impossível se manter ileso a essa situação, mesmo estando confinado em nossas próprias casas, é impossível seguir a vida como se não estivéssemos passando por uma situação seríssima, como se a história não estivesse sendo contada diante nossos olhos de forma muito penosa.
Existem esses momentos de distração que a gente até esquece por um tempo o que se passa lá fora, e aí de repente vem aquele baque de novo.
A falta do convívio e das pessoas me faz sentir vontade de estar mais nas redes sociais, porém lá não tem sido um lugar muito saudável para estar ultimamente (pelo ao menos no meu feed). A situação é que estamos polarizados novamente, dessa vez o que está em jogo são vidas, muitas vidas. E nós (lá, ou aqui, ou seja lá qual o lugar da Internet) seguimos debatendo, discutindo. Sinto uma profunda contrariedade toda vez que vejo um post com um posicionamento contrário ao meu, uma irritação que desconfio que não me faz bem. As mensagens que chegam no What's App, principalmente em grupos, não ajudam muito também. Evito de abrir, de ler as mensagens em certos grupos.

A princípio, eu pretendo finalizar meu mestrado esse ano, então imagine você que coisa pra fazer é o que não falta. Leituras, ajustes, revisões, análises. Mas parece tão difícil concentrar em qualquer coisa! De repente já vem uma agonia de saber o que será, quando voltaremos e o que vai sobrar quando essa pandemia passar.
Já percebi que tem dias melhores e dias piores. Ontem consegui ser super produtiva e resolver várias coisas. Hoje nem tanto, mas ainda sim, foi melhor que os primeiros dias.
Eu estou ainda processando todas as informações, tentando absorver essa situação sem ser engolida por ela. Felizmente existe a Internet e temos muitos conteúdos bons que podem nos ajudar a manter o equilíbrio.
Eu gosto muito de assistir os vídeos da Pri Leite (Youtube), uma professora de yoga. Em um dos vídeos, lembro dela agradecendo por quem escolheu estar ali, assistindo aquele vídeo, vivendo aquele momento. E aí parte da nossa escolha de fazer o possível para manter nosso autocuidado buscando conteúdos que nos ajudem, ou se vamos passar esses dias compartilhando mensagens (muitas falsas) e desesperadoras, que não vão ajudar a ninguém.
Tenho preferido o silêncio, de não ser mais uma a incendiar o Facebook, de não alarmar as pessoas queridas próximas a mim. É uma linha muito tênue entre a informação necessária e a excessiva que irá nos desesperar, e isso também depende de como cada pessoa vai receber aquela informação. Mas de toda forma, eu sempre posso tentar e colocar um intenção boa naquilo que faço.

A ideia é meio que pensar: como eu posso contribuir para isso? Já começa não atrapalhando, se não puder ajudar. Também ajuda filtrar as informações que você repassa. Ajuda muito manter contato com amigos e familiares, marcar chamadas de vídeo, pensar em atividades que possam ajudá-los a se distrairem um pouco. E principalmente, doar e cuidar dos mais necessitados, se for algo dentro da sua possibilidade. Mas se não for, fazer a nossa parte já ajuda. Não estocar comida, não aumentar o pânico, respeitar as orientações. Eu estou escrevendo, para me ajudar também, mas quem sabe, para levar um conforto até você que chegou até o fim (me diga aí se esse texto te ajudou um pouquinho ou nem tanto). Se você se sentiu menos sozinho, eu já fico feliz. Você não está sozinho.

Conteúdo de qualidade: Meditação do Amor Próprio (https://www.youtube.com/watch?v=jz72-a-IPvU)
Música que pode te ajudar: Don't Panic do Coldplay (https://www.youtube.com/watch?v=yWeuUwpEQfs)

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